Memória de Peixe

Por esta altura, poucos são os que passaram ao lado do fenómeno Memória de Peixe. Seja pelas severas melodias circulares, seja pela irreverência que a dupla transpira, o crescimento desta verdadeira truta da música portuguesa não foi discreto. O lançamento do disco homónimo (que conta com a participação de pesos pesados como Carlos Bica) em 2011, valeu-lhes a passagem por palcos tão distintos como o Milhões de Festa ou o Optimus Primavera Sound. Agora, é a vez de Lamego se deixar embarcar numa frenética viagem rítmica.

Loosers

Podemos não lhes conhecer a discografia inteira de cor (possivelmente nem eles a conhecem), mas o título de “compêndio da música periférica portuguesa” ninguém lhes tira. Com mais de 30 discos editados (entre CD-R, EP, LP e outros lançamentos), a sonoridade d’ Os Loosers vai do noise ao trip-hop em menos de nada. Agora com Jerry The Cat (ex-Funkadelic, Gala Drop) a tempo inteiro, a mais recente encarnação da banda parece ter vindo para ficar – e com ela, um disco novo que nos cabe agora testemunhar.

Ermo

As palavras são parcas para descrever a música dos Ermo. Na música deles, há tanto de sacro como de profano, de ódio como de amor. O certo é que ninguém consegue ficar indiferente à sensibilidade que António Costa e Bernardo Barbosa imprimem à sua música. Neles (re)vemos Portugal como ele devia ser: não o fútil e fogaz, mas o arrojado e a mergulhar de cabeça na experimentação. Por isso, vemos neles a maior surpresa (já confirmada) do ano que vivemos – e possivelmente do que aí vem também.

Manel DX

Esperámos pacientemente pela luz verde de Manel DX. Uma luz verde para trazer a palco a sua língua afiada que corre e discorre sobre a vida: seja a boa ou a má, a bonita ou a feia, a boémia ou a atarefada. Não há que enganar: este é um MC à moda antiga, onde as palavras se conjugam e confundem com as batidas acutilantes servidas na hora por um produtor. Mais que uma estreia, um orgulho.

Was An Outsider

Vêm de Barcelos, mas as guitarras desta dupla parecem canalizar ecos do Médio Oriente. Mais do que procurar uma transcendência, Filipe Miranda e José Moutinho procuram materializar uma amizade de longa data. O resultado é música construída em camadas, delays e outras reverberações. E acima de tudo, um entendimento mútuo que não vemos noutro lado.

La La La Ressonance + Black Bombaim

Eles já conhecem os cantos à casa e a casa já lhes conhece os cantos, mas nunca pensámos poder testemunhar a junção destes dois colossos debaixo do nosso tecto. O segundo acto de uma façanha que já foi apelidada de “irrepetível” esperamos o melhor de dois mundos: a turbulência dos Black Bombaim e a calma contemplativa dos La La La Ressonance. Fora isso, esperamos o inesperado – e acima de tudo que a casa não venha abaixo.

Stereoboy

É no seio do colectivo PAD, um dos mais prolíferos do nosso pequeno país, que encontramos pérolas como as concebidas por Stereoboy – Luís Salgado para os amigos. Intrinsecamente ligado à música electrónica, Salgado tem tingido a sua música com linguagens que reconhecemos ao rock, mais ou menos abrasivo, e outros quadrantes. OPO, o novo tomo de Stereoboy a ser apresentado em Lamego, é ao mesmo tempo um renascimento e a obra em que o cruzamento artístico é mais visível.

Morsa

Falar dos nossos sem lhes tecer loas infindáveis é uma tarefa complicada. Falar de Morsa sem lhes destacar a urgência sensual ou sem enaltecer a capacidade de criar texturas suaves como veludo é faltar-lhes à verdade. Morsa, agora composto por Daniela Pina e Manel Guimarães, trazem temas novos, onirismo a multiplicar por cinco e simpatia a rodos. Mas para não parecermos ainda mais suspeitos, deixamos apenas um convite aberto para que venham e sintam por vocês mesmos.

Dreamweapon

Nenhum de nós está livre das garras de Morfeu, mas são poucos os que conseguem tirar-lhe pouco mais do que pequenos fragmentos sem sentido. Os dreamweapon, por seu lado, trazem estruturas musicais inteiras. Não é brincadeira: a música do colectivo portuense soa a algo que recordamos vagamente depois de acordarmos. Com eles, a viagem é confortável e familiar e faz-se pela longínqua terra dos sonhos.

Before and After Science

Umbilicalmente ligados a Lamego, os Before and After Science são uma das mais recentes promessas do post-rock nacional. Subvertendo os lugares comuns de um género musical muitas vezes saturado, são capazes de surgir maduros e acima de tudo com uma sensibilidade extra-musical (leia-se cinematográfica) bastante compensatória. É um regresso a casa que se saúda.