You Can't Win, Charlie Brown

Falar da música dos You Can’t Win Charlie Brown é falar de como eles nos fazem bem ao espírito. Há algo quase terapêutico nas canções de Chromatic e Diffract/Refraction, de tal forma que nos sentimos renovados sempre que os devoramos num trago. Os discos, separados por três anos, uma reinterpretação muito própria de Velvelt Underground &Nico e algumas centenas de quilómetros, mostram um sexteto com gosto em experimentar caminhos que unem a folk bucólica ao krautrock mais tenso e urbano. Depois de passarem pelo NOS Primavera Sound, os You Can’t Win Charlie Brown aterram finalmente em Lamego para concerto que se espera especial.

Equations

Quem os viu e quem os vê: os Equations metamorfosearam-se e de que maneira! E embora adorássemos dar-vos um cheirinho daquilo que são os "novos" Equations, não podemos. Mas podemos dizer-vos que o som de "Frozen Caravels", o disco de estreia editado há um par de anos, parece ter abraçado a contemplação e crescido para dar lugar a algo que poderíamos chamar de post-prog. Gracinhas à parte, os Equations sobem ao palco do TRC para nos levar a conhecer as paisagens tecidas num diálogo constante entre guitarras e teclados.A viagem está prometida, mesmo podendo atirar-nos para uma terra que ainda não conhecemos.

Tales and Melodies

Tales and Melodies é o projecto através do qual José Santos formaliza ideias e pensamentos, criando melodias que servem de base a histórias sobre o Ser e o não Ser! Desde muito novo ligado a várias artes, José sintetiza todas as suas influencias numa sonoridade que se pode definir como rockeira: uma guitarra bem distorcida e a uma voz que transmite a mensagem de quem vive de inquietude e turbulência nos pensamentos. No TRC ZigurFest vai-se levantar um pouco o véu daquilo que será o disco de estreia de Tales and Melodies.

10000 Russos

Os 10 000 Russos são, no fundo, só três: Pedro Pestana, mentor único do projecto Tren Go! Sound System, na guitarra; João Pimenta, vocalista de vários projectos na bateria; e André Couto, dos excelsos dreamweapon, no baixo. O cinema e os ares de Leste são algumas das influências desta experiência musical libertina, reunida numa cassete já editada que conta com quatro temas. A massa sonora criada pelo trio faz jus ao nome da banda. É corpulenta e ruidosa q.b. e carrega psicadelismo que não é estranho a quem parou cinco minutos para ouvir os Spacemen 3, ou para olhar para a aparente imensidão do deserto ou das montanhas que nos rodeiam. Aguentam connosco?

Hitchpop

Ao ouvir o jazz dos Hitchpop, é difícil não pensar numa longa metragem cujo suspense e tensão nos mantêm agarrrados do primeiro frame até àquele twist final que ninguém foi capaz de prever. Formados por João Guimarães, Miguel Ramos e Marcos Cavaleiro, os Hitchpop vêm ao TRC ZigurFest depois de passagens pelo Serralves em Festa e Paredes de Coura. Em plena rua da Olaria, com o sol do final de tarde a convidar a um fino na mão, o trio vai revelar alguns dos temas que compõem o seu disco de estreia, por ora ainda sem nome.

Sax on the Road

O projecto musical a solo de António Ramos (Torré) enquanto saxofonista conta ao vivo conta com a colaboração de Jorge Nunes nas percussões e António Pinto na trompete. Sem um género definido, mas antes com geografias muito próprias, Sax On The Road parte da sobreposição de camadas de sons em loop para criar diferentes paisagens sonoras para um saxofone solitário. A inspiração são músicas e ambientes de outras latitudes, viagens no terreno e no sofá, nos livros e no cinema, mas acima de tudo na experiência musical acumulada ao longo dos anos. Em Lamego, escreve-se um novo capítulo desta história..

Serrabulho

Serrabulho são daqueles excessos que não podes contar ao teu médico. À velocidade de um pré-ataque cardíaco e com vontade de te provocar surdez, os Serrabulho são happy, são death, são grind, e muito mais. São um chavascal transmontano em formato de pândega, que certamente se tornará numa das atuações irrepetíveis deste TRC ZigurFest. Formados por Paulo, Toká, Ivan e o nosso querido Guilhermino, os Serrabulho aterram em Lamego depois da passagem pelo SWR Barroselas e pelo Milhões de Festa. Apetrechados de boias, interlúdios de eurodance e com muito mosh do público. A mais inusitada das atuações deste festival ocorre em plena rua da Olaria, no primeiro dia, no final dos concertos do palco TRC.

Blaze and the Stars

Já gostávamos dos Blaze & The Stars quando eles ainda nem existiam. Ligados umbilicalmente aos Vox Mambo, os Blaze & The Stars apostam no jogo seguro - mas sempre apetecível e excitante - do rock. Juke Joint, o novo disco, vem assente numa base minimal electrónica e numa textura densa de riffs de guitarra, com cuidado especial para acrescentar uma boa dose de organicidade às canções anteriores. O som do novo álbum decorre de um trabalho de composição e produção que incorpora a experiência de um conjunto relativamente extenso de actuações ao vivo, que todos teremos oportunidade de testemunhar em primeira mão, num dos palcos do TRC ZigurFest.

Twisted Freak

Talvez as palavras sejam insuficientes para descrever aquilo que o nosso Twisted Freak faz. Mas alguém tentou e propôs que as músicas de “We Play With Time” (editado este ano pela ZigurArtists) constituem uma espécie de diálogo com o tempo. Temos que concordar: seja pelos samples resgatados ao passado, ou pelos viciantes jogos de ritmo que parecem flirtar com o caos, a definição assenta que nem uma luva. Para encerrar a primeira noite do festival, demos carta branca a Twisted Freak para criar um momento que tem We Play With Time como ponto de partida, mas onde ninguém sabe bem onde vai acabar.

Norberto Lobo + João Lobo

É difícil falar de alguém sobre quem já se disse (quase) tudo. E mais difícil ainda, é falar e escrever de alguém cuja arte só pode ser compreendida quando ouvida e nunca através de meras palavras. Por isso, deixemo-nos levar pelo diálogo envolvente entre Norberto Lobo (autor dos notáveis Pata Lenta e Fala Mansa) e João Lobo (baterista, percussionista e segunda metade deste cérebro) e perceber que imagens compõem o mundo desta dupla. Mogul de Jade, tecido entre a guitarra sonhadora de Norberto e a percussão cirúrgica de João, é o mote para uma noite única no festival e no Teatro Ribeiro Conceição.

Blac Koyote

Quando falamos em Blac Koyote vem-nos ainda à memória a experiência visual e sonora que foi o Easy Pieces, apresentado no Cinema Spock, Lamego, em Março do ano passado. Desta feita a experiência tem por base as sonoridades do mais recente álbum de Blac Koyote, Quiet Ensemble. O projeto a solo de José Alberto Gomes sobe ao palco do teatro depois de passar pelo Boom Festival, para apresentar um som introspectivo e minimalista, explorando as camadas mais profundas do nosso subconsciente. Podíamos inventar uma etiqueta para o encaixar num género, mas não há nada como ouvir e sentir, bem confortável, numa das cadeiras do TRC.

Duquesa

Verão e gelados combinam bem com Duquesa. O projeto a solo do vocalista dos Glockenwise apresenta uma aura leve, veraneante, que sugere prolongados passeios à beira-mar. Inspirado pelo pop clássico e com uma pitada de Mac DeMarco e Wilco, Duquesa ilustra a irreverência de Nuno Rodrigues, que se apresenta disposto a derreter corações no segundo dia do TRC ZigurFest. Depois da passagem pelo barcelense Milhões de Festa, é a vez da sala grande do TRC, onde se espera um momento convidativo a um bom gelado. É aconselhável, no entanto, não entrar com um, ou ainda suja a carpete.

Gonçalo

Gonçalo é Gonçalo Alvarez, cantautor que em 2013 lançou "Quim". Na sua primeira incursão a solo, está longe do calor dos seus companheiros dos Long Way To Alaska, mas apenas fisicamente. É que a doçura e o lirismo que lhe conhecíamos de outras andanças continuam todas aqui: ora são raios de sol, ora são ondas afáveis de calor que ajudam a antecipar um final sempre feliz. É para ver, sentir e viver numa tarde que se espera entusiasmante.

RATERE

Quando falamos da música de RATERE é impossível dissociarmo-nos dos caminhos que a banda trilha. Em terra que já fora pisada por nomes como os Dinosaur Jr. ou The Pixies, os RATERE propõem uma viagem mais livre, sem esconder as suas influências, mas nem por isso são menos capazes. Formados em 2011 e com o seu primeiro EP “Super Power Satellite”, editado este ano pela Honeysound, os RATERE apresentam-se ainda bastante fresquinhos a Lamego. Com uma passagem pelo Souto Rock, a escolha da banda barcelense não é feita ao acaso e espera-se um momento que tem tudo para ser uma autêntica jam session pela Olaria adentro, ao final de tarde do primeiro dia do TRC ZigurFest 2014.

Go Suck A Fuck + Yong Yong

Uma das melhores coisas que o TRC ZigurFest tem, é a componente quase laboratorial de que se reveste todos os anos. Por isso, quando soubemos que duas das nossas duplas favoritas estavam a trabalhar em conjunto, não hesitámos em convidá-los a subir ao norte. De um lado os Go Suck a Fuck, mestres da baixa fidelidade sonhadora, lânguida e tingida com cores e sons sacados a Casio e a guitarra. Do outro, os Yong Yong, dupla misteriosa de Oeiras, com gosto pela pop mais hipnagógica de que há memória e que deixa bem à mostra a herança deixada pelos Hype Williams e DJ Screw. O que vai sair deste casamento? Ainda não sabemos bem, mas temos a certeza que vai ser especial.

O Manipulador

O Manipulador vem a Lamego mostrar que para fazer uma banda precisamos de apenas de um baixo, de uns pedais, de uma loop station e de uma voz. Numa experiência musical expandida pelas ilustrações de Eduardo Cunha, o momento reservado para o dia 30 de Agosto vai ser especial. Nós vamos querer estar na fila da frente e tu?

C(u)ore and Colors

Alguém um dia escreveu, a propósito de “Start”, que a música deveria andar pela rádio e pelas bocas num assobio. Ainda não anda, mas isso que importa? C(u)ore & Colours ainda é um segredo bem guardado e com muito por revelar. Debaixo de camadas de samples que vão desde os Can até ao orelhudo Phill Collins, a dupla lamecense, composta por José Silva e Manel Guimarães, propõe um “Rewind” inédito ao bem-amado EP de 2012. C(u)ore toca no Todos à Rua num momento que se advinha em “Forward” e capaz de fazer um verdadeiro “Stop” ao coração dos mais sensíveis.

Niagara

“Ouro e Oeste”, pedra preciosa do riquíssimo catálogo da Príncipe Discos, é um dos discos que mais rodámos no último ano. Seja pela influência baleárica que pede um mojito na mão, seja pela melodia que se alapa à memória e felizmente não descola, seja pelas batidas descontroladas que tomam conta do corpo… Enfim, podíamos ficar aqui o dia todo a explicar porque é que os Niagara são especiais – mais uma: são uma das bandas favoritas do Panda Bear -, mas o melhor mesmo é virem dançar connosco e com eles na última noite do festival.